terça-feira, 29 de setembro de 2015

Sobre a crise dos 30 e a tal maturidade

By Maína Lins

Mais um dia no olimpo enquanto me aproximo cada vez mais dos 30 (a três meses dele). Tudo está mudando e mudanças são sofridas, daí a crise.



É nesse momento que o autoconhecimento começa a fazer todo sentido, e para se autoconhecer se faz necessário uma série de questionamentos.

Pense em você, apenas em você. Quais seriam seus reais desejos, vontades, anseios, pensamentos. Reflita sobre isso como se não houvessem princípios, nem valores, nem regras sociais ou religiosas. Como seria você em sua forma mais "nua e crua". Pode ser assustador descobrir quem realmente somos. Como adequar tudo isso a uma vida inteira de quase 30 anos construída sobre tantos dogmas e paradigmas. Haveria uma forma de equilibrar tudo isso?

A partir daí começamos a refletir. "E daí, já tenho quase 30 mesmo, pago minhas contas, sou livre". "Mas e os princípios do fulano que me ajudou tanto, e ciclano que me acompanhou durante todo esse tempo, e beltrano que me ama ...". Milhões de pensamentos de culpa e liberdade se confundem em nossa mente. E afinal, quem eu sou, qual meu papel nessa história toda, como ser eu mesmo sem dor para mim e para os outros?

Começamos então a experimentar coisas novas, experimentar novos limites, colocando a prova ensinamentos, conselhos, dogmas e paradigmas. Experimentamos às vezes com um pé atrás, com certo receio, com medo, mas em outros momentos vivemos tudo sem nenhum pudor. Os sentimentos se tornam um montanha russa e com toda emoção possível.

A partir daí, de cada experiência própria, de erros, acertos e bolas na trave, de sofrimentos inevitáveis e de sorrisos eufóricos, que vamos encontrando o equilíbrio da vida. Pouco a pouco descobrimos cada vez mais de si próprios e nosso lugar no mundo e quem sabe um novo rumo a seguir. Afinal, aos 30 ou quase isso, se pode tudo.

Uma viagem inesquecível. Outra graduação ou prosseguimento em um mestrado ou doutorado. Viver de luz ou colocar silicone. Chutar o balde ou o pau da barraca. Simplesmente decidir ficar e voltar pra casa. Filhos sozinha, filhos casada ou congelar os óvulos. Balada ou casa na praia. Paris ou Maceió. Carro ou biclicleta. Sucesso profissional ou nas redes sociais. Um blog ou um livro. Cachorro quente ou frutos do mar. Vinho ou cerveja. Ficar ou relacionamento sério. Um boy, todos eles ou nenhum. Tanto faz, esse é o momento. 

Pode ser mais dolorido quando esse processo ocorre tardiamente, mas nunca é tarde, mesmo que por muito tempo alguns de nós tenham permanecido num tipo de Caverna de Platão. Tudo bem sair aos 30, pior se esperasse pra sair aos 40. E talvez seja necessário que esse mesmo processo volte a acontecer em novos contextos, quem sabe numa nova crise aos 39.

Depois de tudo isso, poderia me considerar madura? Talvez a maturidade seja reconhecer que não sabemos nada dessa vida e que, talvez, mais 30 anos não sejam suficientes para saber alguma coisa.


Para os que ainda não entendem isso,  a culpa é do relógio biológico: tic-tac-tic-tac...




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